Ok. Esperei e nada dela pegar. Perguntei novamente e como resposta o mesmo tom de voz que beirava a grosseria. Aquilo me incomodou.
Liguei para a Central e certifiquei-me de que a bicicleta estava disponível.
Falei com elas e recebi um coice. - ESSA BICICLETA É DA MINHA AMIGA!! ESTAMOS ESPERANDO HÁ BASTANTE TEMPO!!
- Como assim? Ela está disponível.- Liguei para a central e liberei a bicicleta. - Pronto! A usarei. Disse que ela estava disponível.
- Não, ela é da minha amiga! - A mulher voou até a bicicleta e a trancou de volta no bicicletário.- Se é e dela, por quê não a libera e usa?
- POr quê está fazendo o cadastro. Estamos há 30 minutos aqui e não esperaremos mais! - Novamente aquele sotaque, o que me irritou um pouco mais.
- Entendo, mas é assim que acontece. Quando não há uma disponível, a gente espera. Esperar para pegá-lo, ok, mas para fazer o cadastro? Nunca vi isso!
Liguei novamente e liberei a bicicleta.
Ela, sem rodeios, a segurou e a trancou novamente. - Por quê você não sai daqui?
- Como é que é? Sai daqui?
- Sim! Saia daqui!
- Olha aqui minha filha, eu falei contigo numa boa, não tem por que falar assim comigo! (O sotaque, ainda mais forte, só confirmou meu pensamento...)
- Sai daqui! Vá pra outro posto! Quem é você?
- Que é você? Como é que é? Não saio não! Se está incomodada, vá você! Olha aqui sua vaca, aprenda uma coisa! De onde você veio não existe educação, por quê brasileira você não é. Nós temos um monte de problemas, mas ignorantes como você nós não somos. Nunca que você é brasileira!
- Sou brasileira sim. E você, é brasileiro?
- É óbvio que sou! Basta olhar!!! Eu tenho educação!! Nós podemos ter vários defeitos, mas o brasileiro não fala assim com os outros. Coisa que você, sua puta, não é! Se não tem educação, VOLTA PRO SEU PAÍS, vadia! Se é brasileira, de onde é? Por que carioca não fala assim!!
Ela não respondeu. Permaneceu alguns segundos naquele silêncio tenso antes de voltar a mandar que eu saísse dali.
Peguei meus fones de ouvido e voltei a cantarolar meu cd do Texas, enquanto esperava pela chegada de outra bicicleta. Mas não sem, inúmeras vezes, olhar para ela, mostrar um sorriso irônico seguido de um: - vagabunda.
Retirei o fone e logo ela transformou minhas dúvidas em certeza, ela falou com a amiga dela em francês. Enquanto isso, nada delas concluírem o cadastro. Me virei para a amiga dela e perguntei(Em inglês, mas não escreverei aqui pra não perdermos tempo):
- Você fala inglês?
- Sim.
Nesse momento percebi que a vadia olhou pra mim meio surpresa. Devia ter achado que eu era um vagabundo ou coisa e tal. Alguém que mal sabe falar a própria língua. Minha vestimenta? Sunga e mochila, já que entre um compromisso e outro sempre que posso aproveito pra dar um rápido mergulho)
- Então. Entenda uma coisa. Não tenho nada contra você. Realmente tenho direito de retirar a bicicleta, mas não me importo de esperar outra e deixar você com ela. Para mim não é problema. A questão é a puta da sua amiga que não sabe conversar com as pessoas, falando como se estivesse lidando com porcos.
Então, de sacanagem, liberei novamente a bicicleta. Ela, cada vez mais furiosa, se jogava nela e a trancava novamente. Recoloquei os fones de ouvido e repetimos a cena. Enquanto cantarolava com o Texas, olhava pra ela e dizia: - Você é uma vagabunda sem educação! Se soubesse conversar, poderia te passar outros telefones do sistema que não encontram-se disponíveis aqui, mas você é uma puta e não merece nenhum tipo de ajuda!
Ela, furiosa, colocou a bolsa da amiga na cestinha da bicicleta, na certeza de assim eu não retirá-la. Mesmo assim eu a liberava e ria.
- Qual é o seu problema?
- O meu? Nenhum! Mas o seu eu sei! Você não tem educação! É uma porca gringa e vagabunda que acha que pode tudo! Não quer contato com mais ninguém? Compra uma bicicleta de ouro e manda instalar ao redor dela uma redoma de cristal, então estará protegida. Você não sabe o que é ser brasileira. Quando você imaginou que poderia se passar por um de nós?
Ela não respondeu.
- Por favor, saia daqui!
- Saio o caralho!! Vá você, que é uma idiota! Você não merece respeito de ninguém! E saiba de uma coisa! Eu respeito sua amiga, não você, sua puta! Se essa bicicleta fosse para você, pode ter certezade que sua bolsa já estaria no chão, e eu, pedalando. E se você tentar me segurar ou me agredir, serei obrigado a me proteger e chamar a polícia. Você tem noção de que essa discussão é desnecessária e idiota? E que é resultado da maneira como você fala com as pessoas?
Que isso fique bem claro! Pessoas como você não merecem respeito! Você pode morar o resto da sua vida nesta cidade, mas nunca será brasileira, sua porca vagabunda! Você é ridícula e merece uma bicuda no meio da cara!
Passado alguns minutos, nada da bicileta. Ela, furiosa, desistiu. Não conseguiram finalizar o cadastro, mesmo tentando em três celulares diferente. Voltou a falar em francês, trancou a bicicleta que havia liberado e a chamou. A amiga virou para mim e disse:(Novamente em inglês)
- Você pode pegá-la. Não estou conseguindo.
- Pôxa, que pena que você não conseguiu. O melhor é fazer através do computador, pois o sistema deles vira e mexe dá algum erro. Bem, boa sorte.
Sem pensar duas vezes, olhei para a vagabunda e disse em alto e bom tom:
- E QUANTO À VOCÊ, QUERIDA, QUE ACHE UM CACETE ENORME PRA ESTOURAR SUA BUCETA, QUE É O QUE VOCÊ ESTÁ PRECISANDO! E TAMBÉM PARA ACABAR COM ESSA BARRIGA RIDÍCULA QUE VOCÊ TEM! É POR ISSO QUE USA O SHORT ALTO, TEM QUE ESCONDER, NÉ!! E AINDA QUER DAR UMA DE BRASILEIRA PRA CIMA DE MIM!
Ela, num olhar furioso e sínico, me mostrou o dedo médio e saiu com a amiga. Liberei novamente vez a bicicleta e voltei para casa.
Muitos sabem que tenho muitos amigos gringos, que me envolvo com uma galera de tudo quanto é lugar do planeta; mas se há algo que eu NÃO ADMITO é ser tratado com preconceito e falta de educação
em meu país por PESSOAS QUE NÃO SÃO DAQUI!! Se isso já acontece entre nós brasileiros e é altamente tosco, o que dizer de alguém de fora?
Essa é a MINHA CASA e quem não sabe nela se comportar tem que ir embora. Não tenho vergonha em abrir a porta de casa e mandar a pessoa embora. Não preciso olhar pro chão, desviar o olhar, para fazer isso. Toda forma de falta de educação é desagradável, mas vindo de alguém de outro lugar é duplamente pior.
Pouco importa a profissão, situação monetária ou status. POde ser o Papa ou o Príncipe Harry. Se está no meu país eu exijo respeito. Tem que ficar atento, no sapatinho, não fazer besteira! Senão o bicho pega e eu vou achar bem-feito!
Diferença de cultura? Vá estudar como são as coisas por aqui e também aprender minha língua! Todo gringo, antes de vir pra cá, deveria estudar um pouco de português.Por quê tenho de falar inglês com eles? Eu falo por quê gosto e é uma maneira de treinar e mantê-lo afiado. NUNCA no sentido de "estar pronto para receber quem chegar".
Ainda existe um complexo quanto ao que vem de fora ser melhor? Eu NÃO CARREGO ISSO! O que não significa que eu tenha que ficar dançando Folia-de-Reis em tudo quanto é esquina e só ouvir música brasileira, cinema brasileiro e por aí vai...
Eu gosto de ser brasileiro! Na verdade acho o máximo! Adoro a liberdade dos nossos corpos, a facilidade do afeto, nossas cores variadas e misturadas e cabelos que parecem ter vida própria... Temos milhares de coisas pra resolver neste país, mas gosto muito da minha origem e falo pra quem quiser ouvir que sou daqui com a intensidade de uma última coca-cola do deserto! rssss.
E aproveitando o gancho, há muito tempo queria falar sobre isso, mas nunca acontecia. Que palhaçada é aquela de carros semelhantes aos usados nos safaris andarem pela cidade com turistas? Nada contra o molde do carro, mas as cores e tudo mais lembram os carros usados nas savanas. Se mudaram, não sei. Mas da última vez que trombei com um, meu sangue ferveu.
Estou ficando louco ou o povo está nos chamando de animais? Eu não moro na rota de nenhum desses carros. Sorte deles, pois a vontade é organizar uma sessão pedrada (rrsss). Eles merecem, afinal, não querem ver animais selvagens?
Ok, continue nos tratando como idiotas que a gente roda o pé na cara deles, cedo ou tarde. Se um dia algo acontecer, não sentirei nada exceto "Vocês pediram!"
Se apoio a violência? Não! Mas também não apoio essas ideias malucas que, de uma forma ou de outra, denigrem a imagem do lugar onde vivo. E pra defender meu território contra neguinho idiota que nos vende como se fôssemos macacos sexuais civilizados eu viro o diabo, mando o pé na cara, taco pedra e xingo de uma forma que ninguém espera.
Meu país, meu estado, minha cidade, minha rua, seja no asfalto, no morro, na capital ou no interior, É A MINHA CASA! Você será bem-recebida(o), mas comporte-se! Nao abra as portas do meu armário e nada de sair bisbilhotando e mudando as coisas do lugar.
É A MINHA CASA E NELA EU FAÇO AS REGRAS. SE NÃO CONCORDA, CAI FORA!! MINHA CASA NÃO É PARA VOCÊ! QUER TER SUAS PRÓPRIAS REGRAS? VOCÊ PODE, NA TUA CASA, NÃO NA MINHA...OBS: Estou cada vez mais apaixonado pela língua francesa. Mas em compensação... rsss
Ao som de Garbage - Sugar

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