De repente quis viver uma nova experiência. Aceitei posar como modelo vivo para uma aula de pintura. Mas antes, conversei com vários profissionais, pesquisei sobre e tudo mais.
E o que parece ser (aos olhos de quem não conhece, como eu, antes da pesquisa) apenas uma exposição quase gratuita, transformou-se em algo realmente interessante.
Confirmei minha presença e, no dia, lá estava. Um pouco tenso e extremamente curioso, observava o ambiente que já conhecia. Dias antes, assisti uma aula para ver como era. Tudo tranquilo.
Por duas horas, você permanece frente a eles completamente nu, variando entre poses escolhidas pelo professor (ou alguma outra, pedida pelo aluno) que varia entre 8 a 15 minutos. Tudo muito tranquilo e objetivo.
Tive curiosidade em saber como era, ao mesmo tempo que um laboratório para um trabalho. Expor-se dessa maneira é algo tanto quanto diferente. Mas a tranquilidade permaneceu por toda a aula. O inusitado, o laboratório, a possibilidade de se permitir viver mais uma dentre as infinitas possibilidades resultou, no final, em belos trabalhos e uma boa sensação.
Na verdade o que mais tinha medo era de ter uma ereção, mas aprendi com uma enfermeira que, se você passa éter na glande, ele não se manifesta. Consegui o éter numa casa hospitalar e, momentos antes, passei, além de só pensar em gente morta e todo tipo de desgraça, ahahahhaha. Graças a tudo ele não se manifestou.
Passado mais de um mês, recebo um e-mail perguntando se poderia posar para uma turma de modelo vivo, desta vez no Parque Lage.
O trabalho já havia sido feito, não precisava de mais nada sobre aquilo, mesmo assim aceitei. Afinal, um novo lugar poderia resultar em novas possibilidades. Mas desta vez, foi tudo diferente.

Pra início de conversa, eles não fecham a porta se você não pedir. Tipo, você se expõe pra todo mundo que por ali passar. Pedi para que fechassem a porta e disse:
Nada a ver deixar a porta aberta. Esse tipo de exposição não me agrada.
Fui para o meu lugar, pronto, e as pessoas me pediam poses. Mas, espera aí, estou ali pra ser dirigido, não ficar dançando e inventando poses.
- Decidam que eu me posicionarei.
O que, anteriormente havia sido objetivo e tranquilo, agora era desconfortável devido ao não saber alheio. Entre possibilidades e tentativas, conseguiram decidir algo. O professor? Chegaria em meia-hora.
Mudança de pose. "Faça algo "assim".
- Então me dirija. Estou aqui para ser dirigido.
Sentado, com as pernas abertas, esperei sem pressa.
- Vamos?
- Sim. É só vocês dizerem.
O professor chegou. Agora entendi o porquê dos alunos não serem objetivos em suas decisões.
O professor esperava que eu também criasse a pose. Voltei a me sentar.
- Vamos? Pronto?
- Diga o que quer e eu farei.

- Faça algo mais que uma pose.
Dei de ombros. - Então diga como quer.
Perdido naquela zona, continuei.
- Você consegue permanecer nessa pose?
- Tranquilo pra mim.
Final da aula. Tchau.
Engraçado como são as coisas. Achava que, no Parque Lage, as coisas fossem diferentes. Afinal, trata-se do Parque Lage. De onde tirei que ali era sinônimo de bom gosto e refinamento?
Grande bosta! Estava diante de uma péssima classe, pessoas trabalhando com o corpo alheio como se lidassem com um dente de alho e dotadas de noção mínima do que ali faziam.
Por melhor que fossem seus desenhos, tratava-se de um grupo de perdidos comandado por alguém que sabia um pouco mais, mas incerto de sua direção.
Numa única palavra: Decadência.
Saí dali com a certeza de, naquela aula, não retornar nunca mais.
Quanto aos amigos que pediram por indicação, eis um relato de como, naquele lugar, as coisas funcionam.
Agora sei como uma prostituta se sente quando transa com um cliente horroroso.
Ao som de Marilyn Manson - You And Me And The Devil Makes 3.













